sábado, 21 de abril de 2012

Soneto ao Juvenal – O Rei Cordial

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Da sabedoria é o grande imperador. 
Guerreiro do seu nobre sangue, de fato, 
e encarnado no belo negro de um gato, 
destreza demonstra ao viver sem temor. 

Diz-se que, incólume perante o fracasso, 
sem palavras deixa um agressor, doente. 
Tal: inteligência da melhor mente, 
espanta qualquer fúria do melhor aço. 

Assim, o nobre felino, em sua vista, 
desfaz, de qualquer funesto vil, dormências. 
Provando sua alteza a quem o avesso insista. 

Divina majestade, o rei cordial, 
que, em seu berço de hortênsias em flor, 
falaz, rege o mundo. Amável Juvenal.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

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Mágoa é aquilo que mói,
que se esconde
entre a decepção
e o aguardado.
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Sonhos são de pó,
de cera.
Um nó
no sonhador.

Sonhos cabem no bolso,
na madeira
seca
da casa inventada.

Sonhos pertencem a um mundo
à beira
do desejo,
à margem
do querer.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

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Saudade não se vê
porque embaça os olhos
e não dói
porque cala os ais.

Saudade é uma ladra:
esquece a porta
e entra por uma janela.

Saudade leva tudo,
até quem sente,
pra perto dela.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Como o verbo amar está desvalorizado!

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É triste ver uma empresa usar o seguinte slogan: DuBeef - A carne que você ama. Talvez isso seja um extremo, mas há tempos a erosão desse verbo vem destruindo um sentimento que era pra ser verdadeiro acima de tudo. Vai dizer que você nunca escutou ou leu: "Eu amo esse filme!" ou "Eu amo aquela música!" ou ainda "Eu amo andar de velocípede!"?
Não. Você não ama. No máximo gosta muito a ponto de dar uns gritinhos, assistir todos os dias, escutar a todo instante e ficar sonhando em dar umas pedaladas. Depois será, somente, uma lembrança esquisita do seu passado. E isso, definitivamente, não é amor.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Ode à Minha Criatividade

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Oh, tu que não mais me apareces,
que reinas em meu passado,
atende minhas preces!

Volta, oh, ensadecida!
Descreve mais um pecado
nas páginas da minha vida!

Onde estás tu, infeliz?
Hibernas em minha cova
ou fugistes? Meretriz!

Vem, ausência doída!
Alimenta uma frase nova!
Não fujas da minha vida!

Precisas de mim, rabugenta,
e de ti sou prisioneiro.
Mas não te quero somente nas rimas que inventas.
Quero-te por inteiro.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Sombra de Sonhos

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Um sorriso bonito
despindo a invalidez
de todo sentimento infinito
ou de qualquer sonho, talvez

Se é a face que tem
o que de belo se faz,
rica beleza de uma em cem,
quando de honra se veste a paz

Se é a face que tem
o engano e a cruz,
pobre desejo é o Amém,
quando veste o mal e seduz

Naquele sorriso bonito,
o mesmo que prostitui a invalidez,
existe todo um desgosto infinito
ou sombra de sonhos, talvez
 
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